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Data Centers e a Rede Elétrica

Em 1920, a humanidade experienciava algo impressionante: podia-se ouvir informações mesmo há quilômetros de distância. A popularização do rádio comercial revolucionou a forma de acesso à informação, e os desdobramentos advindos da democratização desta tecnologia alterou o modo de vida cotidiano. Agora, era estratégico ouvir o rádio antes de sair de casa, para saber das notícias, do trânsito, opiniões, etc. Já nos anos 2020, o rádio é cotidiano, e a grande revolução da vez é a capacidade de obter informações de forma instantânea, com poucos cliques na tela. A introdução da Inteligência Artificial no dia a dia da população mundial revolucionou a forma de obtenção de informação, 100 anos depois da popularização do rádio.

Fonte: Getty Images

Porém, para além das mudanças num contexto social, a popularização da IA trouxe consequências e novas preocupações no contexto do sistema elétrico de potência, e estas preocupações tem nome: Data Centers.

Data Centers são estruturas físicas que reúnem e comportam equipamentos de computação como firewalls, servidores e switchers, e têm como principais objetivos: transferências de informações, armazenamento e gestão de dados computacionais. Data Centers são largamente usados para treinar e implementar serviços de Inteligência Artificial, o que culmina na previsão do crescimento de instalações destas estruturas.

Fonte: Eixos

Devido ao crescimento do uso de Inteligência Artificial, até mesmo no cotidiano de pessoas comuns, os Data Centers apresentam agora uma carga relevante para o Sistema Elétrico, demandando altos valores de energia para funcionarem. Um dos agravantes desta demanda excessiva é a necessidade de refrigeração do local, para evitar danos devido às grandes temperaturas que os dispositivos podem alcançar durante o processamento dos dados.

Como administrar uma demanda de carga que cresce rapidamente? De acordo com o Ministério de Minas e Energia, já são 52 pedidos de acesso ao SIN por parte de empresas de Data Centers, e a previsão de demanda para 2035 no Brasil é de 13,2 GW. Para administrar e avaliar as possibilidades destes 52 pedidos de conexão à rede elétrica, os a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) avaliam os pedidos, e verificam fatores como: capacidade do sistema, crescimento estimado do sistema (esse número, provindo dos balanços energéticos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE)) nos próximos anos.

O Brasil se mostra altamente interessado em ser um destino de instalação de data centers, evidenciado pelo lançamento da Medida Provisória nº 1.318/2025, em que concede benefícios fiscais para Data Centers, criando o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (REDATA). Com essa pretensão, o Sistema Elétrico Brasileiro vem sendo preparado e analisado para a inserção desta demanda, de forma cautelosa e pensada.

Referências:

https://www.ibm.com/br-pt/think/topics/ai-data-center

https://www.ons.org.br/Paginas/Noticias/details.aspx?i=11485

https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/noticias/conexao-de-data-centers-a-rede-eletrica-supera-50-pedidos-segundo-mme

https://www.cepel.br/2025/04/09/data-centers-como-funcionam-tipos-e-impacto-na-eficiencia-energetica-do-setor-eletrico/

https://eixos.com.br/newsletters/dialogos-da-transicao/disparada-dos-data-centers-pressiona-rede-eletrica-e-desafia-planejamento/

O Planejamento da Energia Elétrica

Um dos pilares de uma boa administração de recursos e de um crescimento exitoso, é o planejamento. A capacidade de geração de energia elétrica que um país possui está associada à soberania nacional, ao seu desenvolvimento social, e à sua economia, de forma que para qualquer movimento de crescimento, esta nação necessita de um bom planejamento energético.

Fonte: ONS (2025)


O Brasil possui uma matriz energética diversificada e majoritariamente renovável, com forte presença de fontes hidráulicas, eólicas e solares. O planejamento energético diz respeito a como o país se relacionará com as demandas e tecnologias futuras, de modo a fazer projeções de consumo, fomentar o desenvolvimento de tecnologias de acompanhamento do comportamentos da geração etc, visando viabilizar o desenvolvimento tecnológico, econômico e social. Na esfera nacional, esse processo é coordenado por instituições como o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que elabora o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), com os dados provenientes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

O processo envolve diversas etapas, que começam pela análise do crescimento do consumo de energia em setores como indústria, transporte, comércio e residências. A partir disso, avalia-se a infraestrutura existente — como usinas, linhas de transmissão e redes de distribuição — de modo a identificar se ela será suficiente, se precisará de reforços ou se demandará a expansão da capacidade de geração. Além da análise técnica, o planejamento energético incorpora também aspectos econômicos, sociais e ambientais, o que inclui a estimativa de custos, os impactos sobre comunidades e ecossistemas e a adequação às metas climáticas nacionais e internacionais.

Além disso, a eficiência energética e o desenvolvimento de novas tecnologias, como baterias, veículos elétricos e hidrogênio verde, fazem parte do planejamento. A EPE publica relatórios como o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) e o Plano Nacional de Energia (PNE), além do Balanço Energético Nacional (BEN), que reúne os dados de produção, importação, exportação e consumo de energia no país.

Fonte: EPE (2025)

Planejar a energia de um país não é apenas uma questão técnica; é uma decisão estratégica que envolve soberania nacional, inclusão social e proteção ambiental. Um bom planejamento energético é aquele que antecipa riscos, otimiza recursos e prepara o país para um futuro mais limpo, seguro e sustentável. Nesse sentido, ele deve ser tratado como política de Estado, com participação ativa de órgãos reguladores, setor privado, universidades e sociedade civil, garantindo que as decisões tomadas hoje fortaleçam o bem-estar das gerações futuras.

Referências:

EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). Planejamento energético e a EPE. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/planejamento-energetico-e-a-epe#:~:text=Podemos%20entender%20ainda%20como%20%E2%80%9Cprever,em%20O%20que%20%C3%A9%20energia. Acesso em: 14 abr. 2025.

OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO (ONS). O sistema em números. Disponível em: https://www.ons.org.br/paginas/sobre-o-sin/o-sistema-em-numeros. Acesso em: 14 abr. 2025.

MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA (MME); EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). Plano Nacional de Energia 2030 – PNE 2030. Brasília: MME/EPE, 2007. Disponível em: https://sbpe.org.br/index.php/rbe/article/download/302/283/. Acesso em: 14 abr. 2025.